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DIU de cobre reduz o risco de câncer do colo do útero

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Pesquisadores constataram que mulheres que usam o dispositivo intrauterino (DIU) têm 44% menos risco de desenvolver células escamosas carcinoma. Este método anticoncepcional é feito de plástico e cobre ou com hormônios e colocado no útero para impedir que os espermatozóides cheguem ao óvulo.

Ao contrário do que se acredita popularmente, os dispositivos intrauterinos podem proteger as mulheres contra o câncer do colo do útero apesar de não evitar a infecção que frequentemente leva à doença, segundo indicam os resultados de um estudo internacional.

Embora o DIU não seja diretamente recomendado como uma forma de evitar o câncer do colo do útero, a pesquisa tranquiliza as mulheres e seus médicos no sentido de que não representa um risco associado à doença.

Os cientistas acreditam que o efeito protetor do DIU seja pelo fato de que ele destrói células pré-cancerígenas ou por causar algum tipo de inflamação que provoque uma resposta imune duradoura, evitando que o Vírus do Papiloma humano (HPV) progrida.

“Foi um pouco inesperado”, avalia Xavier Castellsagué, do Programa de Pesquisa Epidemiológica do Câncer no Hospital de Llobregat (Catalunha). “Os dados (disponíveis) antes de fazer este estudo eram muito inconsistentes, por isso não esperávamos encontrar uma associação tão forte com este efeito protetor”.

O câncer do colo do útero é o segundo câncer mais comum em mulheres de todo o mundo, com cerca de 500 mil novos casos e 250 mil mortes por ano, segundo dados da Organização Mundial da Saúde.

Praticamente todos os casos de câncer do colo do útero estão ligados à infecção genital pelo HPV, que é a infecção viral mais comum do aparelho reprodutivo.

Estudos anteriores demonstraram que o uso do DIU pode proteger as mulheres contra outro tipo de câncer, o do endométrio. Mas até agora não está claro se também poderia ter um efeito sobre o risco de câncer do colo do útero.

A equipe de Castellsagué, cuja pesquisa foi publicada na revista Lancet Oncology, analisou dados de dez estudos de caso de câncer do colo do útero feitos em oito países e 16 estudos de prevalência do HPV em mulheres de quatro continentes.

Os resultados se basearam pelo número de parceiros sexuais e outros fatores e mostram que o uso do DIU não afetou o risco de infecção pelo HPV, mas foi associado a um risco significativamente menor de câncer do colo do útero para os dois tipos principais da doença, reduzindo a probabilidade de desenvolver carcinoma de células escamosas em 44%e o adenocarcinoma ou carcinoma adenoescamoso em 54%.

Segundo os pesquisadores, o tempo que as mulheres utilizaram o DIU não alterou significativamente o risco. Eles descobriram que o risco se reduzia quase pela metade no primeiro ano de uso e o efeito protetor continuava sendo significativo inclusive depois de 10 anos.

“O DIU não é um dispositivo inerte. Nossa hipótese é que ele age como um corpo estranho e estimula as mudanças inflamatórias que evitam que a infecção pelo HPV persista”, explica o pesquisador.

Fonte: http://www.theglobeandmail.com  e  http://www.boston.com

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